Estratégia e Visão

Não tenho escrito de propósito. O mundo tem estado em mudança diária, através de iniciativas políticas e confrontos geopolíticos e económicos constantes.
A forma como nos foram ensinadas as tensões e potenciais agressões também mudou, e o interesse máximo da garantia de paz e da maximização da qualidade de vida de cada Pátria desapareceu. Já não é um interesse comum e permanente.
Hoje, as tensões e as “quasi-guerras” existentes sustentam a maximização da riqueza de algumas Pátrias (minoritárias), aumentando o fosso entre as restantes.
A Europa, pelas suas decisões passadas e pelo foco em dependências indevidas e desproporcionais a todos os níveis, tornou-se um bloco cada vez mais irrelevante. Pior: sem rumo, com lideranças fracas e em crescente desunião.
Neste contexto preocupante, e perante a cada vez maior irrelevância de Portugal no espectro europeu e internacional, continuamos a agir como se as premissas e os interesses nacionais se mantivessem intactos, impávidos e serenos.
Governamos “à vista” e de forma medíocre (ainda que melhor do que os últimos governos socialistas), mas sem a definição estratégica necessária para enfrentar os desafios endógenos e exógenos atuais.
Os tempos indefinidos e desafiantes exigem reconstrução, reorganização e foco. Exigem a definição clara dos interesses permanentes nacionais.
Não percebo – incomoda-me, até – que continuemos a brincar à política, sem gestão real do tempo e dos recursos disponíveis.
A governação, tal como a gestão, deve assentar numa estratégia objetiva, da qual derivem objetivos específicos. Para cada objetivo, é essencial identificar os meios e capacidades existentes e aqueles que será necessário produzir ou adquirir.
Sem esta definição, continuaremos no comportamento “hamsteriano”: a girar a roda sem sair do lugar. E pior, sufocando a população em impostos e custos, promovendo retrocesso na qualidade de vida apenas para manter as máquinas partidárias corruptas e incompetentes. Ao mesmo tempo, afasta-se cada vez mais o cidadão comum da participação política e do serviço ao bem-comum.
Assim, considero que Portugal deve hoje centrar-se em seis pilares basilares:
- Demografia & Natalidade
- Reocupação territorial
- Gestao e Bem-estar social
- O Mar e a ratificação da extensão da plataforma continental
- Cultura Nacional e conhecimento e respeito pela História (sem adjectivações nem manipulações)
- Preservação e maximização das relações geopolíticas construídas desde 1143/1179 (independentemente dos líderes sempre passageiros);
Só depois desta base sólida é que poderemos agrupar, ajustar e fomentar políticas sectoriais, nacionais, europeias e internacionais.
Sem uma definição concreta, conhecida e reconhecida por todos, continuaremos no retrocesso evidente dos dias de hoje.
Deveremos saber responder que Portugal somos hoje e que Portugal queremos ser amanhã.
Sei que os artigos valem o que valem. Mas, pelo menos, fica registado o que penso e aquilo em que acredito e sonho para o meu País. Para Portugal.
Jornal Sol