As feridas não são todas iguais

É curioso como uma irritante trincadela da bochecha, na parte interna, não faz mossa apesar da dor, enquanto um pequeno corte ou um arranhão feito no joelho durante a infância pode deixar marca para sempre. “A cicatrização é um processo que foi selecionado ao longo da nossa história evolutiva como uma forma de curar eficazmente uma lesão, mas tem consequências. Após uma cicatriz, o tecido fica diferente do que era antes e nem sempre funciona tão bem, mesmo que o objetivo da cicatrização seja alcançado”, disse à revista The Scientist Ophir Klein, biólogo do desenvolvimento do Centro Médico Cedars-Sinai em Los Angeles, nos EUA, estudioso da regeneração da mucosa oral.
Descobertas científicas recentes ajudam a compreender melhor como algumas partes do corpo humano conseguem cicatrizar sem deixar vestígios. É o caso do endométrio uterino (revestimento da parede do útero, um tecido cuja espessura varia mensalmente nas mulheres em idade reprodutiva, consoante as fases do ciclo menstrual) e da mucosa oral (revestimento húmido protetor que cobre o interior da cavidade bucal, incluindo a gengiva, o céu-da-boca e a língua), que regeneram sem deixar marcas, e com celeridade.
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