A morte de Raúl Barboza, acordeonista, autor e compositor argentino
Um músico notável que exalava gentileza e humildade. Amava a simplicidade acima de tudo. "O essencial, o que resta quando tudo se apaga", disse Raúl Barboza, mestre argentino de acordeão, falecido em Paris na quarta-feira, 27 de agosto, aos 87 anos. Era uma pessoa bela, de sorriso terno, um homem sábio. Sempre atento aos sinais dos espíritos, aos de seu pai, de sua mãe, de todos os seus amigos falecidos. Também ligado aos da floresta e do rio, seu "território", enfatizou, evocando a região de Corrientes, no nordeste da Argentina, terra de onde vieram seus pais. A da música da qual se tornou um dos embaixadores mais preciosos e respeitados, o chamamé. Uma música popular, mista e dançante, surgida no século XIX , na qual se cruzaram os ritmos dos guaranis, dos quais descendia por parte de pai — sua mãe era de origem basca —, e as mazurcas, valsas e polcas que os imigrantes poloneses e tchecos trouxeram com seus acordeões.
Nascido em Buenos Aires em 1938, Raul Barboza mergulhou no chamamé antes mesmo de nascer. Sua mãe lhe contou que, ainda na barriga da mãe, ele já reagia a esse som e a esses ritmos. Seu pai, um conhecido acordeonista desse estilo, sempre o tocava em casa. Ele lhe deu seu primeiro acordeão ainda muito jovem e o colocou no caminho dessa música, levando-o a todos os lugares onde se apresentava. "O chamamé é tocado em ritmo binário com a mão direita e em ritmo ternário com a mão esquerda", explicou Raul Barboza durante uma entrevista ao Le Monde em outubro de 2018, antes de um concerto no Pan Piper, em Paris, organizado por iniciativa do acordeonista Francis Varis, com a ideia de celebrar o 80º aniversário do maestro e seus trinta anos de residência em Paris.
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Le Monde