Traeen, do susto do cancro à vermelha da Vuelta em três anos

Estava a ser um ano muito positivo para Torstein Traeen. Com a camisola da Uno-X Pro Cycling Team, tinha sido nono na Volta à Catalunha e vencido a classificação de montanha do Tour dos Alpes, alcançando alguns dos melhores resultados da carreira ainda na primeira metade de 2022. Em maio, porém, tudo pareceu congelar.
Cerca de três semanas depois de terminar a participação no Tour dos Alpes, onde cumpriu vários controlos antidoping, Torstein Traeen recebeu a chamada que ninguém quer receber: as amostras de sangue que entregou detetaram valores muito elevados de hCG, um dos principais indicadores de cancro no sexo masculino. “Podes estar seriamente doente”, disse-lhe o médico que o contactou.
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“Era sexta-feira 13 e até tinha brincado que algo de mau iria acontecer. No início pensei que nem sequer fazia sentido, mas depois explicaram tudo e disseram que podia ter cancro nos testículos”, explicou o ciclista norueguês alguns meses mais tarde. Foi operado para remover um testículo e as biópsias consequentes encontraram um tumor de 15 milímetros, mas os exames seguintes garantiram que o cancro não estava disseminado — logo, que Torstein Traeen não precisava de ser sujeito a quimioterapia.
“Era muito pequeno, conseguiram descobri-lo muito cedo. Uma semana depois da cirurgia e todo o hCG já tinha desaparecido do meu sangue”, contou o ciclista, que revelou todo o susto numa publicação nas redes sociais. “99 problemas e o cancro [já] não é um deles. Piadas à parte, têm sido uns meses loucos depois de ter sido diagnosticado com cancro nos testículos. Felizmente, a cirurgia correu bem e estou finalmente de regresso à bicicleta. Mal posso esperar por estar de volta à estrada a todo o gás muito em breve”, escreveu, numa legenda que acompanhava várias fotografias no hospital.
Em agosto, três meses depois da chamada que deixou uma vida inteira em stand-by, Torstein Traeen estava de volta à competição. Foi terceiro no Tour de Langkawi e sétimo na CRO Race, estreando-se no Tour no ano seguinte — e terminando a prova apesar de uma queda logo na primeira etapa que provocou uma fratura no cotovelo. Em 2024, depois de nove temporadas na Uno-X Pro Cycling Team, mudou-se para a UCI WorldTeam Team Bahrain Victorious e alcançou a primeira vitória da carreira ao ganhar a quarta etapa da Volta à Suíça.
Depois desta quinta-feira, porém, Torstein Traeen terá de mudar a resposta quando lhe perguntarem qual foi o melhor momento da vida profissional. Aos 30 anos, o ciclista natural de Hønefoss, na Noruega, subiu ao topo da classificação geral da Vuelta e tornou-se o novo camisola vermelha da competição: cruzou a meta na segunda posição da sexta etapa, na chegada de montanha em Pal e apenas atrás de Jay Vine, e tem agora 31 segundos de vantagem para o francês Bruno Armirail e 1 minuto e um segundo para o italiano Lorenzo Fortunato.
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