Fundos Airbus. “Foi bom para a Airbus e foi bom para a TAP”, diz ex-CEO Fernando Pinto
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O negócio de capitalização da TAP realizado através de fundos avançados pelo construtor aeronáutico Airbus foi “bom para a Airbus e foi bom para a TAP”, afirmou o ex-presidente executivo da companhia. Fernando Pinto era presidente da TAP em 2015 quando foi fechada a operação com o acionista privado David Neeleman e admite que, numa fase inicial, teve a mesma reação quando soube que a entrada de fundos na companhia, no quadro da privatização, seria suportada pela Airbus.
“Tivemos a mesma reação de questionamento sobre a forma como seria feita” e levámos as dúvidas ao Governo e à Parpública que fizeram uma análise jurídica sobre se a operação seria aceitável. O gestor está a ser ouvido na comissão de economia e obras pública sobre a auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF). A análise muito detalhada feita pela VdA considerou que a operação era válida, desde que os aviões fossem vendidos a preços de mercado e se a mesma fosse aprovada pelo conselho fiscal da TAP.
“Era o conforto que precisávamos” e o processo foi para a frente. Fernando Pinto lembra que a TAP tinha à data um contrato com a Airbus para comprar 12 aeronaves A350 por “ótimas condições de valor”, mas este modelo veio a revelar-se um avião muito pesado que “não servia para nós”. A TAP já estava a negociar com a Airbus uma alternativa — e em risco de incumprimento dos pagamentos.
“E aí entrou David Neeleman” que conhecia o processo e propôs uma troca por aviões A330 Meo e por A321, um “avião que foi feito para a TAP. É um money maker. Está sempre lotado. Foi uma excelente escolha e a negociação foi tão boa para a Airbus, porque o construtor queria vender os aviões A350 ao mercado americano, que aceitaram colocar na TAP 228 milhões de dólares, um adiantamento para salvar a tesouraria, mas exigiu o compromisso de comprar os aviões. Não fazia sentido emprestarem o dinheiro e a TAP desistir”.
A TAP foi comprada com o pelo do cão? “Não”. Para Fernando Pinto, a operação dos chamados Fundos Airbus “foi boa para a Airbus, e salvou a TAP” e evitou uma rotura de tesouraria porque sempre que a empresa entrava em processo de privatização, os bancos fechavam a porta.
O antigo presidente executivo da TAP, que deixou o cargo em 2017 já com a gestão privada do empresário americano (em associação com Humberto Pedrosa), considera ainda que Portugal tem de agradecer a David Neleeman também porque trouxe para Portugal os turistas americanos.
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observador