Fernando Pinto: "Privatização da TAP deve avançar com bom parceiro e boa negociação"
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Fernando Pinto, antigo CEO da TAP entre 2000 e 2017, disse esta quarta-feira no Parlamento que acredita "na empresa privatizada". "Acho que a privatização deve avançar com um bom parceiro e uma boa negociação", afirmou o responsável que liderada a companhia aérea na venda de 2015 à Atlantic Gateway de David Neeleman e Humberto Pedrosa.
Para Fernando Pinto, "os aeroportos também têm de ser privados, mas têm de ser bem controlados e com um sistema de acompanhamento muito forte".
O ex-responsável da TAP foi chamado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre as conclusões da auditoria da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) às contas da empresa, designadamente a coincidência de valores entre as prestações suplementares de capital que a Atlantic Gateway se comprometeu a fazer na TAP na adquisição de 61% (226,75 milhões de dólares ) e o valor da penalização assumida pela TAP em caso de incumprimento dos acordos de aquisição das 53 aeronaves.
Fernando Pinto defendeu que o negócio de compra de 53 aviões acordado por David Neeleman com a Airbus "foi bom para a Airbus e para a TAP". E explicou que a legalidade do processo foi confirmada por uma das maiores firmas de advogados. "Era o conforto que precisávamos", disse.
O antigo CEO disse que já antes a TAP estava a discutir com Airbus porque não queria os A350. "Foi ai que entrou Neeleman e "fez uma excelente escolha", com os 330 e 321 neo. A negociação foi boa para a Airbus, tanto que aceitaram colocar na TAP 226 milhões como adiantamento para salvar tesouraria, mas ficando com o compromisso de comprar aviões.
"Foi bom para a Airbus e foi bom para TAP. Salvou a TAP de um processo de tesouraria difícil", afirmou, sublinhando que sempre que a TAP entrava em processo de privatização os bancos fechavam o financiamento.
Sobre a aquisição, em 2005, da empresa da manutenção da Varig no Brasil (VEM) – que durante anos penalizou as contas do grupo TAP – Fernando Pinto explicou que o racional estava na compra da companhia aérea brasileira onde esteve 27 anos.
"A razão de termos iniciado a compra pela VEM e Varig Log foi para ganhar tempo e ter condições para a Varig não morrer antes de nós comprarmos", disse, explicando que a TAP acabou por desistir desse negócio porque "a Varig começou a ter problemas maiores".
"Não investimos um centavo nosso na aquisição. O produto da venda de Varig Log com 20% de ganho ajudou a pagar tudo o resto", disse, dando como exemplos o empréstimo junto do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), o adiantamento da VEM, o investimento em despesas jurídicas e do banco de investimento, assim como o prémio de 20% da Geocapital.
"Decidimos ficar com a manutenção porque o crescimento da TAP já se estava a mostrar tão grande que precisávamos de uma empresa de suporte de manutenção e em Lisboa não tínhamos condições de crescer por causa das limitações do aeroporto", explicou. O problema, reconheceu, veio depois com a operação dessa unidade, que a TAP tentou durante anos anos vender e que é hoje detida pela United.
"Se faria de novo? Não. Tentaria fazer de outra forma, mas ninguém consegue adivinhar o futuro", concluiu.
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